“Toda combustão leva ao desejo”, com curadoria de Lucas Dilacerda, apresenta na Cave Galeria as pesquisas desenvolvidas por Bárbara Banida, Beatriz Benitez, bento ben leite, Hirlan Moura e Samuel Tomé ao longo de sete meses no Laboratório de Artes Visuais da Porto Iracema das Artes.
A exposição coletiva “Toda combustão leva ao desejo”, que ocupa a galeria da Cave Galeria a partir de 24 de março, marca a conclusão da 13ª edição do Laboratório de Artes Visuais da Porto Iracema das Artes e oferece um panorama pulsante de pesquisas emergentes no campo da arte contemporânea no Nordeste. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra reúne trabalhos de Bárbara Banida, Beatriz Benitez, bento ben leite, Hirlan Moura e Samuel Tomé, artistas que, ao longo de sete meses, desenvolveram investigações atravessadas por experiências sensíveis, práticas experimentais e tensionamentos do presente.
Mais do que um recorte final, a exposição se configura como espaço de fricção entre diferentes campos simbólicos e materiais. Cidade, erotismo, ancestralidade, fabulação, tradição e infâncias queer emergem como forças que atravessam as obras, compondo um território onde a ideia de combustão opera como metáfora de transformação contínua.
“Ao reunir essas cinco pesquisas, a exposição propõe um território onde diferentes forças de transformação entram em fricção.” —Lucas Dilacerda, curador.
As investigações partem de gestos e linguagens distintas. Hirlan Moura volta-se às festas populares nordestinas para pensar tradição e pertencimento, evocando o universo das quadrilhas juninas e dos brincantes como dispositivos de memória e reinvenção cultural. Já Samuel Tomé explora o erotismo como campo simbólico expandido, articulando desejo, espiritualidade e processos de autoconhecimento em imagens que tensionam o visível.
Na produção de Beatriz Benitez, a paisagem urbana contemporânea é submetida a procedimentos de desgaste e reinvenção por meio da fotografia, que incorpora intervenções químicas e apagamentos. Bárbara Banida, por sua vez, investe na construção de mundos regenerativos a partir da cerâmica, criando esculturas que evocam seres híbridos e imaginários em mutação. Já bento ben leite mobiliza a pintura como campo de elaboração de experiências ligadas à infância, identidade e cotidiano queer.
Ao colocar essas práticas em diálogo, a mostra evidencia não apenas a diversidade de procedimentos formais, mas também a potência de processos que operam no entre — entre matéria e imagem, entre memória e invenção, entre corpo e território. A combustão, nesse contexto, deixa de ser apenas destruição para se afirmar como força de transmutação, capaz de reorganizar sentidos e instaurar novos regimes de visibilidade.
Com textos críticos desenvolvidos pelos tutores que acompanharam o laboratório — entre eles Ana Maria Maia, Fernanda Meireles e Íris Helena, além do próprio Dilacerda —, a exposição amplia o campo reflexivo das obras, oferecendo ao público camadas adicionais de leitura sobre os processos que as constituem.
Em cartaz até 18 de abril, “Toda combustão leva ao desejo” reafirma o papel do Porto Iracema das Artes como um dos principais núcleos de formação e experimentação artística do país, ao mesmo tempo em que projeta uma nova geração de artistas cuja produção emerge marcada por urgências contemporâneas e por uma imaginação radicalmente aberta.